SANTARENAIDA

POEMA EROI-COMICO

DE

Francisco de Paula de Figueiredo.



Dignum laude virum Musa vetut mori.

Horat. l. 4. O. 7.


COIMBRA.
Na Regia Officina Typografica.
ANNO M.DCC.LXXXXII.
Com licença da Real Meza da Commissaõ Geral sobre o Exame e Censura dos Livros.

ARGUMENTO.

Ouve em Coimbra um Taverneiro celebre, chamado Joze Rodrigues Santareno.Este em uma funsão que costuma fazerse pela Pascoa do Espirito Santo emSanto Antonio dos Olivais, estando muito suado pelo cansaso do caminho,fartouse de agua, com quem andava divorciado, avia largos anos, e dahi apoucos minutos caiu morto. Revestem-se estas circumstancias Poeticamente,e cantase a sua morte.

SANTARENAIDA.

CANTO I.

Pois me pedes, ó Muza, instantemente,


Que emboque a Eroica tuba altisonante,


Que a cego Marte impele os peitos fortes;


Eu que sem forsas teu carater serio


Em versos graves sustentar naõ poso,


Revestido da lépida Talia


C'o a máscara atrevida, para ensaio



Cantarei o Varaõ famijerado,


Que de Baco na guerra com Neptuno


Arvorando do vinho os estandartes,


Depois de ser trovaõ, ser raio acezo,


Que espalhava terror no campo inteiro,


Victima infausta foi por fims de contas


Da vingansa cruel do Rei das aguas.



Axavase em tremendo consistorio


Com toda sua Corte o undozo Jove.


Nas intimas entranhas asoprado


Pela Raiva vorás o consumia


Um fogo abrazador: eraõ com ele


As furias de Acheronte, e os vastos mares


Ao som de sua vós mudos tremiaõ.


Quando depois de longos improperios


Com que a insana paixaõ dezabafára,


De sima do alto solio adamantino


Que sustentaõ seis Doricas colunas


De maculado marmore brilhante


Com bazes de oiro, e capiteis de prata,


Esta fala do peito amargurado


Soltou com grave acento aos seus Magnates.



Sempre eu, Vasalos nobres, de máo grado,


Com justa indignasaõ olhei bramando,


Que ouvese sobre a terra um petulante


Que ouzase de meu povo impunemente


Atacar os direitos mais antigos;


Pois sendo desde muito autorizadas


As nosas dôces aguas para entrarem


As umanas guelas, e os arcanos


Dos buxos penetrar dos omems grandes,


Oje a termos as vêdes reduzidas


De serem so de aprêso aos brutos rudes,


E a despeito de minha autoridade


Condenadas (oh dor!) das esterqueiras,


Das imundas alfujas, das cloacas


Á baixa vergonhoza lavadura.


Conterme já naõ poso; este atrevido


Provar do meu tridente as forsas deve.


Este atrevido he Baco: eu pois pertendo


Punir a sua audacia, guerrealo.


Naõ ade este invazor protervo, e altivo


Zom

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