AS SAUDADES

DO

BARDO ORTHODOXO,

POEMA.

Fù corto il tuo partir, lungo é'l mio affanno;
Nè gioia spero mai, ch'il riconsole.
Tu ridi, io piango sempre; e sol compenso
Gli aspri martir, se di te parlo e penso.

L. Guidiccioni.





PORTO:

NA IMPRENSA DE ALVARES RIBEIRO,
aos Lavadouros N.º 16.

1837.

[2]





On some fond breast the parting soul relies,
Some pious drops the closing eye requires;
Even from the tomb the voice of nature cries,
Even in our ashes live their wonted fires.


De ternos corações busca saudades
'Spirito que se ausenta, e extinctos olhos
Querem piedoso pranto; a Natureza
Lá do fundo das campas inda clama,
Inda mesmo entre cinzas
Sua chamma usual vive inexhausta.

Gray, cemiterio da aldea.

[3]





Ao meu amigo,

JOAQUIM TORQUATO ALVARES RIBEIRO.


Perdeste pais e irmãos, quaes vio apenas
A suspirada em vão Saturnia idade;
E, sob o imperio de Cruel saudade,
Soffreo teu coração amargas penas.
Carpir alheios lutos
Quem os proprios carpio ah! não recusa;
Nem com olhos de pranto sempre enxutos
Simpathisar consegue a minha Musa.
Mas hoje, amigo, mais propicia sorte,
Por ver-te resarcido
Do muito que has perdido,
Deo-te, digna de ti, rara consorte,
Dos thesouros do Ceo mimo escolhido.
Oh! nunca, nunca vos separe a Morte!

Henrique Ernesto d'Almeida Coutinho.

[5]





As saudades

DO

BARDO ORTHODOXO,

POEMA.



Oh que extase ineffavel!.. Nossas almas,
Ao risonho alvejar da madrugada,
Voando sobre as azas transparentes
D'aura fragrante que soprava do Éden,
Anciosas enlaçarão-se, em transporte
De prazer todo angelico! Dest' arte
Extremosos se abração dous amigos,
Que adolescentes vinculára o instincto
D'aurea Virtude em flor, e divididos
Pelo undoso Elemento ha largos annos,
Se, condoida em fim d'ausencia tanta,
A Sorte os restitue um do outro aos braços.
Oh quaes arcanos de ternura eximia,
Toda celestial, vedada ao Mundo,
Su' alma revelou á do consorte,
Á da consorte extatica, engolfada
Em luminosa alluvião de
...

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