Produced by Vasco Salgado
1912
Sempre—1897
Terra Prohibida—1899
Sempre (2.^a edição)—1902
Jesus e Pan—1903
Para a Luz—1904
Vida Etherea—1906
As Sombras—1907
Senhora da Noite—1908
Marános—1911
Regresso ao Paraiso—1912
O Espirito Lusitano ou o Saudosismo—1912
O Doido e a Morte—1913
1912
Não tencionava publicar este livro. A dôr que ele contem, muito emboraarrefecida ao tomar expressão verbal, é sagrada para mim.
Estes versos, nascidos da morte d'uma creança bem amada, fôram escriptospara seus Paes e Avós, para as pessoas que a rodearam de carinhos durantea sua doença e para os meus intimos amigos de alma.
O soffrimento verdadeiro não ama a luz do mundo. Quem chora, escondeo rôsto. A dôr oculta-se por conhecer a desharmonia de que é feita.
Mas quando soube da subscripção nacional aberta a favor do divino Poetada "Historia de Jesus" para as creancinhas lerem, resolvi pôr á vendaeste livro, com o fim de inscrever o seu producto, ainda que modesto,na subscripção referida.
Fui eu que resolvi?… Gomes Leal verá no producto das "Elegias" nãoa minha pessoa, mas o proprio espirito d'essa Creança…
É ela a agradecer-lhe a dedicatoria do Poema, sublime de emoçãoreligiosa, onde murmura, eternamente viva, a alma de Jesus.
Março de 1913.
[Nota do Transcritor: Aqui surge a assinatura do autor.]
Este pequeno livro é para ti,
Minha irmã. Has de lê-lo com amor,
Pois nele encontrarás o que soffri
E uma sombra talvez da tua dôr.
E nele, embora em nevoa, encontrarás
A Imagem de teu Filho…
Ó minha irmã,
Sei que és a campa viva onde ele jaz;
Sei que este livro é cinza, poeira vã
Que eu espalho em redor da tua cruz…
Mas ante a negra dôr que me tortura,
Quiz vingar-me da Morte, e ergui á luz,
Cantando, este meu calix de amargura.
Vi-o doente, ouvi os seus gemidos;
Sinto a memoria negra, ao recordá-lo!
A Mãe baixava os olhos doloridos
Sobre o Filho. E era a Dôr a contemplá-lo!
Depois, nesses instantes esquecidos,
Ou lhe falava ou punha-se a beijá-lo…
Mas, retomando, subito, os sentidos,
Estremecia toda em grande abalo!
Fugia de ao pé dele suffocada,
A sua escura trança desgrenhada,
Os seus olhos abertos de terror!
E então, num desespêro, a Mãe chorava,
E, por entre gemidos, só gritava:
Amôr! amôr! amôr! amôr! amôr!
Que terrivel tragedia ver a gente,
No seu exiguo e doloroso leito,
Uma creança morta, um Inocente,
Um pequenino Amôr inda perfeito!
Oh que mimosa palidês tremente
A do g